quarta-feira, 9 de agosto de 2017

76.



Acabar sustendo a pergunta não pretendendo ir mais longe
O que há é o que é. Entendido 
E abaixo
Subentendido
Sentido
De profundo valor
De seguir adiante
O profundo valor de seguir adiante. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

75.

O caderno até tem lombas do uso da areia
Inchado pelo sol e pelas águas salgadas
Curtido em sal, isto sim, é um corpo caderno
Pensar como esse personagem de Sam Shepard cartografando
As milhas diárias combinadas com a mochila preta de moto 
Aos anos salgada e eu
A escrever isto antes de mergulhar no mar banhar
O caderno porém não se limpa
Em qualquer duche aguentará
Na chuva sobre a água 
Em poças sabemos nós 
Lá quando algum homem já não existido
O encontrará por entre os lixos
Fulano numa lotaria há um mês
Beltrano que já não é de agora

domingo, 23 de julho de 2017

74.

Passas o tempo a pensar e não escreves
Quando falas (isto sabendo que a tua fala 
É confusa e que só realmente puxas das palavras quando te apuras)
E alguém diz que isso devia estar escrito
Como uma ordem 
O acto de cozer  
Distintas formas os labirintos
Milenares formas de contornar
Lanterna a reflectir a parte mais líquida
Da rocha que desenhas
Do mundo que a tudo insiste
A dar a moeda ao mesmo ao mesmo mesmo
Absoluto 

sábado, 22 de julho de 2017

73.





1. 

Despertar por despertar. Mensagens com Tiago Gomes via Aljezur. Estou na costa alentejana, Vila Nova de Milfontes. E encontrar o mesmo Sam Shepard faz uns bons três anos. A temperatura e o artesanato bruto daquela escrita é me mais benéfico para minha metafísica que muitos tratados de literatura, filosofia, astrologia. Enfim... daí falando é toda uma outra astrologia, terra que só arde de vez em quando. Antes tinha visto os Diários do Kafka, também internos na estante da papelaria-livraria todos estes anos.  E antes vira Inês, vive na vila, sua irmã que eu vi bebé aos vinte e poucos é obviamente uma mulher feita. O irmão mais velho, já se divorciou, vive no Qatar, é piloto da Qatar Airlines e põe fotos aéreas estupendas no Instagram. Adiante, siga, café e croissant com queijo na Mabi, frango de churrasco para almoço. Depois uma conversa com o meu irmão que é aficcionado total do ténis, para aí desde Agassi. Fui eu que puxei o assunto a Federer por causa do David Foster Wallace. Então a conversa entre-cruzou. Tudo muito bem patinado. A expensas do meu irmão, claro. 


2. 

O amor ressente-se por outra coisa, porém. É o despertar para o despertar. Até ao dormir eterno. Pelo menos desta vida. Há que despertar. 


3.

Auden sobre Kavafis, na praia, sobre Paul Valery, por causa das coisas e de tudo aquilo que eu não sei, que é tanto tudo que o que eu mais devia é ter juízo. E despertar, pelo menos nesta vida.


4.

Empenho-me em dar um mergulho. Que grande sorte tenho eu em desde dia um de Junho já me ter banhado umas vezes nas águas espanholas do Mar Cantábrico de Santander, e nas costas galegas de Vigo e Pontevedra... E digo bem alto que em El Sardinero a água estava mais quente, e que Nigrán bastante mais quente estava. Não sei o que deu à foz do Rio Mira. 

5.

Mergulho. Bem precisava dessa alquimia. Solução de Verão eterno.  

72.

Falava-me nessas fotografias que tirava da gente comum. E como todo um meio, de mira em punho pontiagudo a acusarem o caminho mais fácil e óbvio, pois então, desistidos de fotografar gente até ao final dos seus dias. Calos de corpo, calos de vida, ó que coisa. Estação do Rossio. Lisboa turística a receber espécies. E Lisboa já não era Lisboa e Barcelona é quase toda a Barcelona que nós sempre conhecemos excepto que é Barcelona. Como todo o Alentejo que é Alentejo ainda não é um produto inventado por uma marca que apanhe a sua essência isolando sua fórmula química em laboratório afim de sintetizá-la consoante os padrões de um supremo algoritm advisor.

terça-feira, 18 de julho de 2017

71.


Penso o fundo 
É o que procuro
O senso de propósito
Não encontrei mas respiro-o
Algures


Toda a ideia de melhora
Acompanhando a dor carne viva
Retirando-me o discernimento 
Ao Deus-dará seguindo
O trilho a que estou obrigado


A poesia dança dimensões através da linguagem.

A escrita melhora o pensamento deixando encarnar o intuído pelo poder e o dom da transcendência. Traz respostas perguntas poder mágico. 

A ideia de todas as milhas percorridas não deixa de me assombrar o entendimento. Mas também não deixa de fazer acreditar em todos os milagres.


Seu posto, enfim, seu posto onde lhe é permitida ver desenvolvida sua ficção que nada mais é que ele próprio concebido pela explosão nuclear de sua própria estrela. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Do Ar



CABEÇA DO AR

Cabeça no ar, sempre no ar
Vendo as coisas no ar
Sempre do ar
Voar
Sem ir parar
Ir dar
Não dar
Até cair 
Em terra ou no mar
Ou na lixeira, algures, ligeira
Dos sentidos
Sentidos a dar
A algum lugar que é nenhum 
Lugar a dar 
Não dar


***


AR AO AR

Deixa-te desse teu terra a terra
Produto da terra
De quem está na terra
É realista, sim, e pertinente, muito
Mas não para quem está a voar neste preciso momento
O preciso momento a grande altura
No que são precisos acima de tudo bons propulsores

domingo, 16 de julho de 2017

70.



CASA SETE 


Vivemos em tempestade
Latente
Por vezes anuncia-se 
Outras vezes
Não

***

A arte sublima a dor
A arte decora o interior
Pudera
Ela que o recria

***

Se tomares do alcatrão um continente preto
Perto dos pés a pesar o sujo
Negro talvez 
Cinza todo textura
Como tudo o que há


Bisavô Chico Ernesto


Há quem diga que foi sorteado o contemplado 
O tiro o acto heróico de José Júlio - "acto heróico do Zé Júlio, pá!"
Do arco da velha, pois
Fez-se História 
Reza assim: 
«Ao despedir-se a sós, Ernesto Góis chorou e pediu que desistisse do seu intento, pois alguém se encarregaria de livrar Portugal do tirano. José Júlio deu-lhe uma declaração defendendo a União Sagrada e pediu que a desse a conhecer depois da sua morte, pois estava certo que pereceria perto com Sidónio.»
Etc, etc ou etcetera...
Depois há quem quem diga, e eu suspeito
Como é que aquela carta estava no bolso de trás das calças?
Passaporte para a cadeia?
Justa ou injusta
Verdade é que do Chico Ernesto só me ficou uma foto
E uma outra
Meu avô criança tomando a família pelas costas
Como se eu te dissesse faltam trinta anos até aos anos 50
Olhando Hitler ao longe, Franco mais perto, Salazar presente
Estranguladas décadas a saber a conseguir
Forçar o grave a aguentar
O inclinado desvio o beijo da morte
O cumprimento num tiro - foi o que foi...
O herói da imagem ou a imagem do herói
Achar que tudo é melhor que nada
Vergada a coluna inteira
E chegada a morte
Paralela

sábado, 1 de julho de 2017




Frente ao Farol: El Sardinero
Mas só penso nessa praia andaluza, em Almeria
Desértica, uma esplanada de três mesitas, um casal amigo daquela noite 
No Folhas D'Erva, um ano atrás, caminharei então
Agora o caminho é cada vez mais a caminho 
É que a montanha se tornou planície 
Onde estou, como hei de saber?
Nunca vi um explorador de antemão
Mesmo assim direi que sempre na praia
Pode ser defronte à ilha, num café rude, a dar autentico
A beber uma Estrella andaluza, Damn, atiçou-me a memória


sábado, 27 de maio de 2017

Notas sobre Tàpies





Forma de não forma 
Não 
A forma é pesada 
Pesada a forma 
Só a textura a pinta 
Como mostra 
Toma 
Pesa
Queres libertá-la, pensa


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A potência do objecto como tópico de reflexão implica a dor de senti-lo. Nem assim uma transcendência ou realismo mas um tópico de reflexão, uma sugestão, uma abertura. 


---------------------------

O violino só tem duas cordas, um x questiona. Em estor corre-o. Não sei se é essa a ideia mas o trabalho que dá a arranjar a forma.... A deformá-la, a invertê-la, a transformá-la, tudo para a mais sórdida dissolução. Ou pelo menos é um ar que se respira diferente. Tóxico e rarefeito? Não sabe. Mortal? Também não. Verdade é que se respira. Livre a prova que estamos vivos. Saímos vivos da exposição. E provavelmente de todas as obras de todas as exposições. 

69.

- Só dando o máximo ao mínimo alcanço o mínimo do máximo. 

- No pasa nada, passa tudo, tudo passa, tudo se passa. 

- A realidade, na realidade, se não é brincadeira de ninguém também não é brincadeira nossa. 

- Meu lado razoável só me quer estóico, nada razoável. 

- Deixa-os explodir. Não vão mudar nada. 

68.


Depois de meditar nas Direcções Simbólicas penso agora, plena praia de El Sardinero, se todas as direcções não são simbólicas. Se não deixam pistas em qualquer lugar. Se qualquer coisa não se torna imediatamente simbólica. As voltas que isto dá, esta cidade. Mais as anchovas que são simplesmente do espanto. E tudo se encaixa. Encaixa porque todo o encaixado encaixa o que é suposto ser encaixado. Construído antes de ser construído. Como um encaixe. Todas as televisões nos cafés e derivados estão sempre ligadas nos noticiários. Ou então é só futebol nas grandes pantallas. A cerveja é boa. E os melhores pinchos do mundo com toda a certeza absoluta. Sinto-me bem até me sentir mal no norte-escuro. 

terça-feira, 23 de maio de 2017






Acordar pela rua ultra-pacífica. Bairro gótico de manhã é a coisa mais pacífica. As Ramblas mantém a temperatura. O forno ainda não começou a aquecer. Entrada no Metro, duas estações, Praça da Catalunha. Já está ali um grupo de estudantes. Pede ajuda. Seguem-nos até ao autocarro. Na Plaza de Espanya um galego entope o tempo à entrada do autocarro também entupida. Entrelinha o momento em que não há nada para ninguém. Irá para não sei onde, como é óbvio. discute a minudência. Ela confirma o galego, digo que já sabia, que vai para Vigo, ela que não. É para outro lado. Diz mas eu não apanho, também não confiro. Imagino e basta. Alguma tensão pré-trabalho. Entretanto vá-lá, prosseguimos. O trânsito é nulo, a cidade da cor de uma cerveja clara. Ou pelo menos assim escrevo eu agora, esta memória remota e tão recente. Posso dar-me ao luxo de se anacrónico, posso dar-me ao luxo de dizer que não é para todos. Como todos, se eu cair de alto borco, não me posso dar ao luxo de dizer nada, fui. Hamburguer, vontades de aeroporto, perdão, aeroporto, vontades de hamburguer. Burguer King a dez euros, foda-se, pensando bem não comeriaa ali nem por cinco, mesmo depois de uma tortilha que me caiu mal em todo o avião. Na mesma pista onde antes uma frota entre outros confrontava dois Knut Hamsun quaisquer como se fosse um duelo do oeste. Norwegian Airlines. Para esses voos uma fila densa de alemães que afinal iam para outro voo como as diligências. Entre tanto esboço destacarei apenas a descida do avião por Pontevedra para logo aterrar em Vigo. Uma pista inteira só um avião e uma avioneta. Como se redescobrisse o oxigénio. 

67.


SÓ ESCREVENDO

Só, escrevendo
Só escrevendo 
Só escrevendo cheguei ao país estrangeiro
Só escrevendo regresso agora ao próprio país
O país próprio
Do estrangeiro
Só escrevendo tudo se me esplana 
Plana
Escrevendo-me, só escrevendo
Imponho-me agora um estou 
Não estou ao pé de ti
Pela primeira vez
Faz-me falta essa amaldiçoada temperatura
Agora cintura industrial
Outro balde de cidra pura outra astúria
Outra mentira pelos vistos
Tão estimada, esquecida

quinta-feira, 13 de abril de 2017




Ourense é cidade de puta madre. Filha da mãe. Metade Galiza, rasto a Espanha, restos de Portugal. Sim, dá para ver. A entrarem essas gotas lusas. Mas é mais antigo. Mais novo também. Setas mescladas em direcções distintas - distintas direcções. De distinto na diferença. De uma parte a outra e de ambas as partes. O Mercado de Abastos mais parece Portugal. Um Portugal típico de algum lugar onde nunca fui mas sempre poderia existir. Depois os rios, a ponte romana pelo Rio Minho. Desse centro onde antes iam dar todos os caminhos. De uma Roma onde nos encontramos. Dessa Roma que nos inventou antes de existirmos. De estarmos juntos. De nos separarmos. Até hoje, onde as margens de um lado que atravesso na sumptuosa ponte Vella são as opostas em países onde tudo se confunde, no Minho, onde havia de ser? Em Ourense.  

quarta-feira, 12 de abril de 2017

66.


PORTO DE SANTANDER


Santander encheu-me a boca de palavras
Não me calei durante décadas
De Lisboa engolido eu fiz-me
Expulsar da lama isto e aquilo - é pasto!
Passo atrás, recuado 
Adiante ao Porto onde tudo se começou a ver
A partir do porto 
Da estrada ao quinto de cima da baía depois
Pelas notícias da calha
Do fim da república ao início 
Da monarquia foste tu
A anunciar o verão primeiro
Em movimento retrógrado
Aos recuos da Primavera.

quarta-feira, 8 de março de 2017

65.


Nova palavra antecipada 
A direcção
Escrevia eu enquanto escrevia
Para aí me dirigia 
Sevilhas de verdade 
Romance da própria vida romance entroncamento de romances
Que correram
Mau, lama, as raízes...
Matéria a matéria acimentada, enfim, passar, vamos passar 
Por cima ao alto e pára 
O baile Galiza 
Norte do norte do nosso norte norte nosso 
Norte casa 
Rodagem da roda 
Da fortuna a Finisterra 
Aí nos temos
Conjunção nomeada antes do beijo e de toda a terra tremer quando nada pode 
A casa, sim, la casa
Si la nuestra
Casa nossa à nossa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

64.


Não racionalizar a sombra. Não pensar a sombra. 
Deixar a sombra ser a sombra. 

*********

A humanidade a pensar que pode ser solta a vida inteira. A solidão sem união que não a circunstancial circunstância. Como uma sonda. A derivar no espaço. Sondando.

*********

A cidade. A grande cidade não hospitaleira. Um cinismo uma presença pertença amargurada. Que não quer saber disso agora. Não quer saber de nada agora. 

********

Quando um Destino conspira dentro de ti deixa de ser céptico.

********

Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...

********

Ser todos os lados é transmitir todos os lados menos o lado onde se transmite, onde se é. Onde se delimita o limite onde não se dissipa. Onde só nos dissipamos em transcendência. 

*********

Meio morre à fome? Morrer à fome é um dos meios.

*********

Dia a dia não é foguete a foguete. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

63.


Cheguei ao lobo
Não mato nem meto
Mais gelo o tempo
Ao Inverno, sim
Aguento

Não fico não me demoro

Não sei do tempo nem do horário dos comboios assim de repente
Se virá de Zurique se é
Madrid que eu amo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

62.



TECHNICOLOR TU
Para Lucila 


Preciso de escrever.  Te escrever. Te escrever preciso
Estás agora a dormir. Dormida tu. Y te quiero
Preciso escrever. Preciso escrever preciso
Estive metido por entre os astros. Precisos astros. Energias
Precisas
Via-te assim como exacta
A geometria só me faltava
O descontexto 
O como te puedo decir en castellano como ex con texto
Sin problema pues te quedas conmigo y te ríes de mi de mí por mi
Cariño te emocionas y aún más toda mi suerte aqui es fortuna y no hay otra manera
Mi amor, nos queremos 
Te queria decir, ahora en portugués, que o que me faltava naquele momento era literatura
Um pouco de lama a cobrir-me as paredes inflamáveis
Todo eu eléctrico urano
Oposição à boa sorte como energia a transformar um esgoto em Veneza excepto
Se me organizar excepto
Se necessitar de organizar como 
Controlar por no tener control
Até chegar a casa tu casa más tranquilo
Sim, começámos a viagem quando nos nasceu o primeiro átomo
Verdadeiro contra prosaico 
Porque esse átomo era um pixel ao primeiro sinal foi contra o rosto
Seu destino eu que és tu
Nós dentro de nós outros 
A toda a hora nos queremos via as galáxias
A noite no directo sentido de à noite nos vemos
E sentimos melhor para despertar en tu mañana ultra planante esta plenitud voz del sur 
Tu eres mi norte
Musa italiana actriz de los anni sessanta
Atómico preparativo 
De lugares planetas evasivos
Colonizamos nós outros dentro 
O amor precisava escrever amor, precisava escrever, amor
Ser escrito agora agora único único
Linguagem toda a linguagem 
É simbólica então fazes-me eu faço um símbolo 
É o símbolo animal selvagem cria
Sem destruir 
Amigo de todos os jantares antes de nós 
Corpos que se querem cama 
De todos os lugares tarot
Infinito particular
Cantemos 
La profundidad
Desse Brasil Argentina
Entre Alentejo Galiza

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

61.


FABULOSA MALTA ALENTEJANA


2011 - Descobri isto com Bolaño: escrever com música altos berros aos auscultadores. Longe da voz bem perto do bater do batimento cardíaco.

2014 - Não se sabe bem onde, nem se a escrita vai de três a onze dimensões…

2003 - Ninguém me acredita, o mestre gritou, então caíram uns atrás de outros quais peças de dominó. Mas outra vez ninguém me acredita…

2009 - Então botas calçadas lá vou eu. Passo os montículos de terra sobre o penhasco da rocha, o mar abaixo mesclado em névoa, barcos bem perto trouxeram peixe acabadinho de pescar. É Porto Côvo dia de nevoeiro. Um pescador que fez tertúlia ontem naquele improvisado grupo ali ao Rossio a perguntar se não queria comer um peixinho, e falava a sério este aqui é o meu pai, e insistia que eu me sentasse naquela improvisada esplanada de uma mesinha mesmo à porta da rua, com as pessoas a terem de desviarem-se para a estradinha.
Eu respondi um rotundo não a soar a fome: tem óptimo aspecto mas já almocei... Enfim, apetecia-me estar sózinho. Também não queria ser mal educado: trazia-me comigo o tempo todo e toda a gente à minha espera...

2021 - Foi aí que eu disse: Soubessem como em Lisboa aprendi a tornar-me insensível. Vá-lá que me belisquei quando vi o papel de que eram feitos certos tigres... E contra isso, amigos, o tempo pode pouco ou quase nada. O tempo, quando muito, deforma.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

60.


IBÉRIA LÓGICA

O milagre sim
Um milagre vem
De Espanha
Tragédia por tragédia maior tragédia foi
A Armada Invencível a outra derrota
O NON menor
O enfim
Esquecida
A vingança ao Grã-Jesuíta
Revancha protectorada a uma Grã-Bretanha 
Prefiro antes uma Grã-Ibéria
Festa da fiesta onde podemos ser
Parte o mesmo barco 
Até porque carne
Já o (éramos já)
O somos

59.

Tudo se torna falso com o álcool
Já era falso tecto falso tive de 
Furar paredes furar esse suado ir 
Pelo senso comum
Que não fui que não 
Comuniquei
E então
Desbravei furei furei 
A álcool a parede
A álcool que fez
Fez cimento é preciso 
Mais cimento traz álcool
Ou se quiseres antes gasolina
É a gasolina 
Como agora é o silêncio a rosca 
Porque a parede entretanto foi abaixo
Mais espaço menos uma divisão 
Pensas tu
É essa a dinâmica de destruir muros em tectos
Necessário pelo interior a dentro o interior
No que entretanto a cada segundo está instalado
Cada segundo a salvo
Do génio intrínseco mecânica dos motores
Sotura de infância mecânica de ser
O que sou antes de eu 
Ter sido destruído destruindo
Ir por ali adentro tal como se usam tanques na guerra depois
Do bombardeio 
Quando 
O que mais te querem é 
Que decores quando
O final é que os decores

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017



LOBO À COLINA DE SÃO ROQUE


Les Photo
 Inquéritos de satisfação
Este relativismo doido
Rede presa em casa
Nas casas Marchar contra
Entrar no bairro, na colina
Fui
Lobo gélido insatisfeito
 De humores fora da toca
Não vos digo nunca onde
Como nunca sei
Onde você mora, ou sei
Explorar o que há para explorar
Como está Lisboa, como está?
Como está Lisboa hoje, como está
A subir e a descer subir e descer Bruschetas
O Forcado Peixe laranja
 É a Rua da Rosa. a Mamie Rosa, chapéus Galo de Barcelos Cozinha trendy é portuguesa é trendy é portuguesa Sim E o Brás Grogs Dança da Comida Ao fundo do fundo do fundo O Mini-preço Um
É gente a mais, já almoçaram Fidalgo Faia Vazio é o faro
Pirata bar um preto homem Martelaria pesada tá tum tá tá tum tá tá tum tá
Ai Precisava de saber mesmo como te escondias atrás desta merda na tua toca
Tua Casa casa sempre casa Sempre casa sempre Em casa
Rá-tá-tá tá-tá tá-tá-. tá-tá- tá-tá-... Travessa da Queimada
Bairro Alto massa
 Rua da Atalaia tudo
Em película quando alcanço as Catacumbas Memórias de noite
Tu eu Alcateias consoante décadas
Lá fora acasalados num carro Lá fora, disse, sou lobo, nunca fui apanhado
Nas escadas de um prédio mandou vir
 Com o barulho fui daqui até à Alameda Mandei-te o convite, está lá no facebook...
Sopro o sopro ouvia isto aos dez anos
Abro a boca o focinho ao cheiro oleava faz séculos
Devorava isto tudo.
Às barcas, às barcas! Pelo mar e pelo mar...
 Ás malvas! Ás malvas!
Estimados É como é como comer papel Souvenir tamanho não é memória Mera é mera a constatação Voilá, era um convite Vou Shop-shop mini-mercado Travessa da Boa Hora, antes isso Uma preta mulher Só para dizer que aqui estou sempre no antigamente Século XVII, XVIII sobretudo E o terramoto? O fartote? Antes, quando antes era tudo bilingue, bom
 Jamais esquecerei os estridentes risos dos escravos  iguais
Todos iguais na catástrofe eu é que nunca Mas nunca fiz parte de manadas nem de exércitos Nem de futebóis, sou lobo não faço espécie não sou espécie da espécie se é que me faço entender
Dessa espécie, bom, não vos digo mais nada...
Bem, sei, só me querem porque eu vos dou pistas só eu vos dou pistas as pitas Só eu
Simulo o passado, conto-vos que conto, fui vou e já fui, e já vou...
 Pistas, pistas, pistas gargalhadas pistas gargalhadas, sim, bem gargalhadas
Hei! Mas não me riu nunca me riu nada disto tem graça nenhuma
Ou tem se tem, por outro lado Posso contar do passado...
Ou não, não, não, não conto do passado como Não conto o passado como
Não conto com o passado Ouviram?
Uivo a isso Vão bardamerda, Uivo a isso
A todos bardamerda a todos, uivo a isso
 Só mesmo quando estou disposto Bem disposto quando dou uivo Por ela uivo uivo ó bardamerda S
oubessem vós como tenho de me centrar no alimento Isso que odeiam, isso, e odeiam-me!
Isso, odeiem-me Sou lobo não sou nenhum congregador de almas Soubessem vós como estou como vou Toda a concentração ao máximo é sempre o mínimo Um mínimo olímpico, soubessem vós O que são trezentos mil anos Por exemplo... Vá-lá Lisboa ta-ra-ra-ra-ra-ra-rã... Rá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.... Edda em verso perdiz Ragnarok pardalado Lobas à colina! venham Bom cu trans-oriental transexa eu miro é o tempo Nah!... Acreditaram, era?
Nah, cuba exótica, cheirei-lhe Ouvi-a mais tarde.... Três horas depois....Já estava longe...à beira do cais Ouvi tudo... Os sapatos a serem descalçados ela a deitar-se no balcão O bar às escuras até vos digo as horas cinco da tarde
Não acreditam? Querem cheirar? Faro o faro Fixo o fixo Vou o vou ido o ido Sou todo ido e estou Estou o estou Fenrir e príncipe nas margens do Volga Até predominei em Sevilha Austrália a pé Vossos céus coitados, não têm disso Vossos infernos, pior, estão cheios de água Não atravessam nada se não atravessam Nem pelo inferno... Mas vamos lá vamos lá: Cuba à vista! Num bar! Uivo a isso Opá The Pint Estation Espera aí na varanda A salsa canta a saliva Sientes que te quiero más con mi...Lalalala Sou um Shazam Disseram-me isso, sou um Shazam Não sei o que quer dizer mas aceito Desafio aceite Voilá e já o era Atraio E mais, mais, mais souvenirs mini-mercado Do paquistão ou do Nepal je m'en fous Tapa bucho tapas y pinchos Estrella Damn, diz lá, Estrella Damn Travessa de São Pedro Cuidado O ponto seguinte do percurso é cansado: Tacão Grande Mil Novecentos e Noventas Entas A Catarina Santiago Costa diz que falávamos muito sobre cinema nós dois nos noventas entas Uivo a isso!

Mas é andar....

Parafernália a parafernália
Parabólica branca medonha de alta enorme cobre todo o MC da esquina Como se ninguém soubesse Como as ruas são curtas as casas contíguas mas aquilo enorme A anunciar um fim de um bairro, mesmo que hipotético É o fim é o fim eu já vi tantos fins Só esta colina de São Roque sempre a começar sempre a acabar sempre a começar sempre Vá das ruas marcadas Memórias... A parabólica diz Contera Ai a Alfaia Comi lá, uivo a isso mas
Ai ai ai Tasca Tequilla Bar Mojito Mezcalina Conchonchada e enchilada! Bom, não percebo a letra... Pancho Collins? Sim. Et Sim: The Corner Irish Pub, bom, agora leio melhor: Sex On The Beach, Irish Car Bom The Westies, já agora... Whitey Bulger, já agora Steve Coonan, pois, South Boston, ai como eu sou Bela colina Azúlea cinza e perigosa Lá
percorri E para sul: Rua do Norte Hostel marisqueira aché Cohiba Alface Hall Cobalto Corgo Alto Coturno? Travessa de Esperança ristorante italiano Adega Machado Fado fado fado Bad bones tatoos Baco Alto. Baco Alto? Ouvir melhor: Cê viu a mesma casa? Já, já-já... São Já Está O Farta Brutos, sim, o Farta Brutos Isto em tempo de farta Brutus é monta Querem o quê? Tempos não são tempo Não entendem? Não explico Olhem o Leitão & Irmão Wine Lover, isso! Está bem está... Isso, Severa Fado, isso! Isso sim, Severa Fado Severa a escrita encarnado Vende a tempo antigo Cor portuguesa como o meu pêlo Verde o maço de Marlboro Sou lobo não sou tradicionalista Não sigo. Não sigo nem deixo de seguir O vazio & Trendy Bliss Lisbon Apartments Metálica opaca ó Pá tanto faz aqui como em Pasteur Assim como assim Não é nada é nada Afinal O Cantinho das Gáveas Nesse Estádio já não entro Onde havia amendoins antigamente onde fumavas O Mike e o Armando anarca Tinha estado com o Luiz Pacheco e toda a gente que não conheci Lá não estava mas estava Sim, falo de ti E a jukebox ai ai ai a jukebox agora agora ouvem mais a jukebox do que quando a jukebox existia fazem bem Usar do instinto da sobrevivência não conhecem a forma As formas como Lisboa é manada em texturas das suas peles Não conhecem nada não têm culpa vão conhecendo, é isso Clichés noites perdidas a mil paus granadas. Não? Meu amigo: 1913, vai pó caralho, ok? Sou Lobo, não um amendoím temporal ou se quiseres palhaços, um amendoim em temporal: tu! Porquê? Comia-te em cerveja. Cuspia-te até a beber uma Cristal ó contingência Santa Contingência Vem-me a mim
Via-me a mim mas eu não estava Então como então agora presente sempre presente Acendo o lume ainda me fogem... Ofendem Não estão a ver a minha casa nem as suas A verdadeira face, como se diz, sou lobo, não contautor de anedotas – ainda por cima as vossas
Antes diria morram, morram todos ou vivam agora todos
Kebabs Ai ai, uivo a isso! Olhem bem para o exemplo da Taberna Minhota Bitoque costeleta de novilho Ameijoas à Bolhão Pato Falafel durum vegetarian pita kebab Durum durum... Pastel de bacalhau o dobro do tamanho e a Ginjinha a êro e meio...